The Aracy de Almeida
Discography

Noel Rosa e Aracy de Almeida
liner notes by Fernando Lobo.

Daniella Thompson

Aracy de Almeida

Aracy de Almeida, esta genial sambista, cuja fama já chegou aos quatro cantos do mundo, nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, no Encantado, vinda de família de origem modesta. Tão logo deu acordo de si, sentiu a sua tendência para essa música quente e ritmada que é o samba. Sua voz, já naquela época caracteristicamente nasal, era todavia agradável, talvez, pela tristeza que fazia transparecer ou, talvez, pela harmonia absoluta que fazia com seu ritmo, sua cadência formidável, que mais tarde lhe granjearia o título que até hoje conserva: “O Samba em Pessoa”. Noel Rosa, o já tão consagrado Noel, que acabava de obter estrondoso sucesso com o samba “Com que Roupa?”, e Custodio Mesquita, outro expoente da música popular brasileira, foram os seus descobridores. Foi lá em Vila Isabel que Aracy os conheceu, bem assim como outros tantos mestres do gênero. Tornou-se, desde logo, figura imprescindível ao grupo, não só pelos seus dotes de simpatia, mas, principalmente pela sua maneira sui generis de cantar, o que a tornava uma intérprete personalíssima. Além dessa interpretação, parecia que Aracy nascera para interpretar as composições de Noel e essas nasciam por imposição inata da cantora. Noel também pensava assim: – O povo, este povo amigo, tem na voz de Aracy de Almeida a fidelidade do meu samba.

No rádio, Aracy apareceu nos programas mais variados — era o tempo em que o artista não tinha exclusividade, podia cantar em qualquer emissora mediante um pagamento irrisório, lá estavam também os grandes cartazes como Francisco Alves, Sylvio Caldas, Carmen Miranda e muitos outros. Foi Noel Rosa quem lhe deu a música de sua primeira gravação: o samba “Sorriso de Criança”. É o início de sua popularidade. O povo quer saber quem é Aracy de Almeida. Outros compositores, desejam que ela cante suas músicas. Era a consagração que chegava. Aracy continuava a mesma moça simples e camarada. Atendia a todos os compositores que a procuravam e era sinceramente agradecida ao público que a aplaudia. Novos sucessos vieram, suas músicas são repetidas através do assobio do trabalhador, da voz desafinada de uma lavadeira ou na sua própria voz, pelo gramofone das casas dos mais afortunados. Em 1937, morre Noel Rosa, o grande filósofo do samba. A música popular brasileira estava enlutada. Mas restava um consolo: a sua obra era imortal. Continuaria a ser cantada pelos mais famosos cantores, entre eles, ela — Aracy de Almeida. Hoje já veterana, arrastando um colar de sucessos, ainda é aquela mesma intérprete de outrora, talvez ainda melhor, pela experiência que os anos lhe trouxeram.

Um fato interessante é que a popularidade de Noel Rosa aumenta cada vez mais, parece como que uma homenagem póstuma àquele que tanto trabalhou pela nossa música popular, dando-lhe um colorido e uma sensibilidade cem por cento. Foi com a intenção de entregar outra vez aos seus admiradores as suas melhores criações que a “CONTINENTAL” resolveu juntar nesse álbum essas duas figuras ímpares que são: Noel Rosa e Aracy de Almeida.

Milhares de desejos serão satisfeitos com esta feliz iniciativa da “CONTINENTAL”. Teremos, um como complemento do outro, o grande poeta de Vila Isabel — Noel Rosa, e sua genial intérprete — Aracy de Almeida.

Fernando Lobo

 


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