:: These reviews were originally published
:: in Daniella Thompson on Brazil.


 

Chansonnier par excellence

Marcio Proença sings of and for adults.

Daniella Thompson

2 August 2004


Marcio Proença

When it comes to composing song tunes, Marcio Proença is a veteran. His musical résumé stretches back to MAU (Movimento Artístico Universitário), the student movement of the early 1970s whose most visible founding members were Gonzaguinha, Aldir Blanc, and Ivan Lins, but which eventually attracted the participation of numerous artists who would become the pillars of MPB.

A gifted melodist, Proença crafts not just songs but chansons. What’s the difference? Chansons are songs for adults. You may have heard his boleros in the voice of Nana Caymmi: “Castelos no Ar”; “Outra Tarde”; “Marca da Paixão”; “Vício de Amor.” Or “Retrato Cantado” (download the recording courtesy of MPBNet) in Aldir Blanc’s 50 Anos. Or “Cabrocha da Mangueira,” either with Beth Carvalho or with Leny Andrade and Romero Lubambo. Or “Pare de Me Arranhar” with Zé Luiz Mazziotti, or with Pery Ribeiro and Luiz Eça, or with Simone. And so it goes. His lyricists have always been the heavy hitters: Paulo Cesar Pinheiro, Aldir Blanc, Paulo Emílio, Ivor Lancellotti, Marco Aurélio, Wanderléa.

During the 1980s, Proença released the LPs Marcio Proença (1981) and Eterno Diálogo (1984). Now he comes back with the delectable CD Facho de Luz, with lyrics by José Luiz Lopes. The songs are leisurely (several are boleros), allowing the listener to savor the bitter-sweet verses that meditate on an intensely experienced life, redolent of love and disappointment, good and bad moments. The sophisticated arrangements by Cristovão Bastos are a fitting complement to Proença’s caressing baritone, joined by several illustrious friends who lend extra oomph to the production.

“Delírio” opens the album with a breezy bossanovista arrangement of flute (Marcelo Bernardes), piano (Bastos), guitar (Mauricio Carrilho), contrabass (Jorge Helder), and percussion (Ovídio Brito and Don Chacal), while the singer confesses accumulated manias:

[...] Sou bem prolixo e até convexo
Bem pouca chance pra mudar
[...]

E assim
Vou levando, e tenho a sensação
Que a correr dos anos
Vão me revelar outros complexos
[...]

É que o medo de amar
Me faz um néscio
Só de te ver meu corpo mexe
E eu não consigo nem falar
[...]

“Que Bom Seria” is a regretful rumination on a love that has gone bad, interpreted in turns by Leila Pinheiro and Proença, with accompaniment by Bastos, Nicolas Krassik (violin) and cello (Fábio Presgrave):

[...] Juro que daria uma vida toda
Pra tirar de vez o triste desse amor
E ficar com a parte boa que me toca
Como os dois brincando sob o cobertor.
[...]

Bongos and clave (Chacal) and soprano sax (Bernardes) lend an apt setting to the heartache of “Gosto de Batom”:

[...] Ando às tontas pelo corredor
sem saber, o que faço aonde vou
Seu cheiro por todo lugar
Uma obsessão
[...]

“Um Pouco Mais Canção” draws on the contrasting tastes and demeanors of two lovers. The theme is reminiscent of “Catavento e Girassol,” although the treatment is much gentler, less confrontational:

[...] Quisera
Que você fosse outra
Um pouco menos rock
Um pouco mais canção
[...]

Guinga arranged the song for voice and guitar. He does the playing and takes turns singing with Proença, in a reedy tenor that rounds out the latter’s deeper voice.

“Bons Momentos” is a bolero that seems to have been tailor-made for Nana Caymmi:

[...] Velar o que já sepultou
Não tem cabimento
Te apraz lembrar o que passou
Apontar os erros

Eu já sei não vais me perdoar
Vai doer, se eu te telefonar
A mágoa é um veneno
Afasta do teu coração

Interpreting it here, Simone Guimarães reveals herself to be a perfect torch singer. Her on-the-verge-of-tears rendition is beautifully balanced by Proença’s smooth vocals, Bastos’ syncopated piano, and Leandro Almeida’s muted trumpet. Listen to an excerpt.

If “Bons Momentos” is a Nana Caymmi vehicle, “Já Foi, Mas Volta” would fit perfectly into Pery Ribeiro’s repertoire. João Lyra’s fine guitar joins the piano, bass, and ganzá arrangement. In contrast with the final closure of “Bons Momentos,” “Já Foi, Mas Volta” leaves open an avenue of hope:

[...] Como um cometa vazou
Sem dar tempo de me aproximar
Fica a certeza você
Já foi mas volta

“Marcas do Passado” is a two-in-one track: the first round is sung by Proença with Guinga on guitar, the second by Ivor Lancellotti with Marquinho Roberto on guitar. The vocal renditions are different in character, and so are the accompaniments: the first slow and contemplative, the second more agitated.

“Um Mal de Amor” is a song of short phrases, a dialog between voice and piano. The subject is evident from the title, but the lyrics go deeper than the expected dor de cotovelo:

[...] Pode alguém revelar seus segredos,
se habitam outros lá
Pode alguém navegar mar aberto,
sem prever o mar
[...]

“Avassalador” is an occasion for the lyricist José Luis Lopes to sing. It’s impressive how many of Brazil’s lyricists—very few of whom are trained vocalists—acquit themselves well while delivering a song. This phenomeon is on display both in “Avassalador” and in “É Bom, Mas É Ruim,” where Paulo Cesar Pinheiro takes wistful turns with Proença to the strains of Bastos’ equally wistful solo piano. Listen to an excerpt.

Eu queria essa música com letra do Aldir
Eu queria essa música com jeito do Jobim
Eu queria cantar como canta o Cauby
É o modo dela, meio donzela, me faz sentir assim
Eu queria o Paulinho Pinheiro por aqui
Eu queria essa música com um pouco do Ary
E o Guinga tocando um bolero só pra mim

Sorri pra ela
Sofrer por ela
É bom, mas é ruim
[...]

“Cilada Fatal” contains the phrase that gave title to the disc and distills the emotions given repeated expression in it:

Sob um facho de luz
Salpicado de azul
Me ungiu com o olhar

De uma cigana que lê
Parecendo um ser imortal

Me aliciando falou
Com a certeza de quem vence o mal

Mensageira da dor
Traiçoeira, armou
A cilada fatal

Pra conquistar meu amor
Destilou seu veneno letal
Fez implodir meu castelo de sonhos
Num lance final

Já não me importa mais
Sua opinião
É bem melhor ouvir, a voz da razão
Não adianta mais, chorar e nem pedir perdão

Agora a tarde cai
Fica a sensação
Que já não manda mais, no meu coração
Hoje eu já sou capaz, de perceber sua intenção

But there’s no need to despair, for the album ends on a triumphant note with the rousing samba “Atitude,” to which Beth Carvalho lends her unmistakable touch. Following a deceptively calm beginning featuring Proença’s voice with piano and bass, a cuíca heralds a change in mood and tempo. Beth takes over with an exuberant conjunto de samba, letting us know in no uncertain terms that there’s more to life than quiet resignation:

[...] Quem sabe, guarda em silêncio quem sangrou
Doa o tapete a quem puxou
Canta que o canto espanta a dor.
[...]

Listening to Marcio Proença, you’ll want to join in the singing.


Marcio Proença: Facho de Luz
(Niterói Discos ND CD 106; 2004) 52:31 min.

All songs by Marcio Proença & José Luiz Lopes
Arrangements by Cristovão Bastos
Produced by João Carlos Carino

01. Delírio
02. Que Bom Seria – w/ Leila Pinheiro
03. Gosto de Batom
04. Um Pouco Mais Canção – w/ Guinga
05. Bons Momentos – w/ Simone Guimarães
06. Já Foi, Mas Volta
07. Marcas do Passado – w/ Ivor Lancellotti
08. Um Mal de Amor
09. Avassalador – w/ José Luiz Lopes
10. É Bom, Mas É Ruim – w/ Paulo Cesar Pinheiro
11. Cilada Fatal
12. Atitude – w/ Beth Carvalho

 


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