Carmen Miranda
Sings Ary

Carmen Miranda (1909–1955) was Ary Barroso’s principal female interpreter during the ’30s and ’40s. Here are a few of the numerous Barroso tunes she recorded.

Carmen Miranda


Lista de Cantores

 

 

Carmen e Ary
Carmen and Ary in Hollywood

O Nêgo no Samba
Ary Barroso, Luiz Peixoto
& Marques Porto (1929)

Samba de nêgo
Quebra os quadri
Samba de nêgo
Tem parati
Samba de nêgo, oi, oi
Sempre na ponta
Samba de nêgo, meu bem
Me deixa tonta
Num samba, branco se escangaia
Num samba, nêgo bom se espaia
Num samba, branco não tem jeito, meu bem
Num samba, nêgo nasce feito

 

Mulatinho Bamba
Ary Barroso &
Kid Pepe (1935)

Ó que mulatinho bamba
Como desacata quando samba
Na roda é uma revelação
Quando ele bate o pé
Bate o meu coração
E sabe decidir um passo
Sambando com elegância
Dentro no compasso
Não anda armado de navalha
Nem lenço no pescoço
Nem chapéu de palha
Mulato fino e alinhado
Tem gestos e atitudes
De um deputado
Pos causa deste mulatinho
Eu fico na janela
O dia inteirinho
Quando ele passa na calçada
Parece o Clark Gable
em Acorrentada

 

Anoiteceu
Ary Barroso (1935)

Anoiteceu!
Nenhuma estrela apareceu
Noite escura no céu e no meu coração
Aumentando a dor de cruel paixão
Porque você não diz nem sim nem não
A incerteza me devora, amor
E eu não posso mais viver assim
No entanto uma palavra qualquer que ela fosse
Daria ao meu sofrimento um fim
Anoiteceu!
Nenhuma estrela apareceu
Noite escura no céu e no meu coração
Aumentando a dor de cruel paixão
Porque você não diz nem sim nem não
Meu destino entreguei a Deus, a Deus
Já que fui tão infeliz no amor
Meu consolo é que você algum dia terá
Também de se lastimar de dor

Sonhei Que Era Feliz
Ary Barroso (1931)

Eu fui abandonada
Por um quase nada
Chorei! BR> O mundo é mesmo assim
Um sofrer sem fim
Bem sei!
Meu pobre coração
Vive na ilusão
De amor
Vive à cata de ventura
De um chamego
Para meu sossego
Depois que te conheci
De tudo me afastei
E o mundo abandonei
Eu me arrependi
De tudo que te fiz
Foi sonho!
Eu sonhei que era feliz

 

Balão Que Muito Sobe
Ary Barroso &
Oswaldo Santiago (1934)

Tomei abrideira
Pisei na fogueira
Fiz adivinhação
Pra que você não me deixasse na mão
Pedi proteção
Ao meu São João
E você no entretanto
A rir de meu pranto
De vida quis melhorar
Mas não faz mal
Um dia vem após outro
E você terá que me pagar
Balão, balão, balão
Que mais alto vai
Mais sofre
Quando de repente cai
Eu bem que dizia
Que você havia
De se arrepender
E um balão aceso o amor ao nascer
Se deixa de arder
Nos faz padecer
Você quis riqueza
Quis luxo e grandeza
Mas hoje nada lhe dão
E eu estou
Feliz agora cantando
E louvando ao meu São João

 

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O Caboclinho Querido

Sílvio Caldas
Sings Ary

Sílvio Caldas, O Caboclinho Querido (1908–1998), was one of Brazil’s foremost seresteiros (romantic singers).


 

One of the Big Four male singers of the Radio era, Sílvio was an accomplished songwriter in his own right—he penned a number of classic songs, including the masterpiece “Chão de Estrelas,” co-authored with Orestes Barbosa.

Sílvio Caldas’ recording career extended over six decades, during which time he was Ary Barroso’s premier male interpreter. Here are some of Ary’s songs made famous in Sílvio Caldas’ voice.


 

Maria
Ary Barroso
& Luiz Peixoto (1932)

Maria
O teu nome principia
Na palma de minha mão
E cabe bem direitinho
Dentro de meu coração, Maria
Maria, de olhos claros, cor do dia
Como os de Nosso Senhor
Eu por vê-los tão de perto
Fiquei ceguinho de amor
Maria
No dia, minha querida
Em que juntinhos da vida
Nós dois nos quisermos bem
A noite em nosso cantinho
Hei de chamar-te baixinho
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria
Maria, era o nome que eu dizia
Quando aprendi a falar
Da vozinha, coitadinha
Que eu não canso de chorar
Maria
E quando eu morar contigo
Tu hás de ver que perigo
Que isso vai ser, ai, meu Deus!
Vai nascer todos os dias
Um porção de Marias
De olhinhos da cor dos teus BR> Maria
Maria ...

 

No Rancho Fundo
Ary Barroso &
Lamartine Babo (1931)

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as “mágua”
Tendo os olhos rasos d’água
Pobre moreno
Que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Ja na cordilheira
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza
Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra
Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade
Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo
O sol queimando
Se uma flor lá desabrocha
A montanha vai gelando
Lembrando o aroma da cabrocha

 

Tu
Ary Barroso (1934)

Teu olhar é um sonho azul
Teu sorriso, uma promessa louca
Teus lábios, duas jóias de coral
No engaste sensual de tua boca

O mais lindo luar, tu
A grandeza do mar, tu
Só te quero a ti
Só te vejo a ti
Só palpito por ti
És minha vida, querida!

 

É Mentira, Oi!
Ary Barroso (1931)

É mentira, oi! É mentira, oi!
O meu amor nunca te dei
Eu sou pobre, mas já me conformei
(arranje outro)

Anda por aí falando
Tanta coisa a meu respeito
Eu juro, é despeito
Mas não estou ligando
Este mundo é uma escola
Já quebrei minha cachola
Hoje eu sei me defender
(oi, é mentira, oi lá se...)

Quem se dá comigo sabe
Que agora eu ando liso
Quem ama por amor
Sempre toma prejuízo
Perde o tempo no chamego
Passa a vida sem sossego
Este é o meu segredo
(oi, é mentira, oi lá se...)

Faceira
Ary Barroso (1931)

Foi num samba
De gente bamba
Ô gente bamba
Que eu te conheci, faceira
Fazendo vizagem
Passando rasteira
Que bom
Que bom
Que bom

E desceste lá do morro
Pra viver cá na cidade
Deixando os companheiros
Quase loucos de saudade
Linda criança
Tenho fé
Tenho esperança
Que algum dia hás de voltar
Direitinho ao teu lugar

 


Risque
Ary Barroso (1952)

Risque
Meu nome de seu caderno
Pois não suporto o inferno
Do nosso amor fracassado

Deixe
Que eu siga novos caminhos
Em busca de outro carinhos
Matemos nosso passado
Mas se algum dia, talvez
A saudade apertar
Não se perturbe
Afogue a saudade nos copos de um bar

Creia
Toda quimera se esfuma
Como a brancura da espuma
Que se desmancha na areia

 

Morena Boca de Ouro
Ary Barroso (1941)

Morena boca de ouro
Que me faz sofrer
O teu jeitinho é que me mata
Roda morena, vai não vai
Ginga morena, cai não cai
Samba e me desacata
Morena é uma brasa viva pronta pra queimar
Quimando a gente sem clemência
Roda morena, vai não vai
Ginga morena, cai não cai
Samba com malemolência
Meu coração é um pandeiro
Gingando ao compasso de um samba feiticeiro
Samba que mexe com a gente
Samba que zomba da gente
O amor é um samba tão diferente
Morena samba no terreiro
Pisando vaidosa sestrosa meu coração
Morena tem pena de mais um sofredor
Que se queimou na brasa viva do seu amor

 

Segura Esta Mulher
Ary Barroso (1932)

Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir, oi!
Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir

Eu não sei o que vai ser, meu amor
Não sejas “desmancha prazer”, oi!

Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir, oi!
Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir

Fui bem pesadinho, eu sei, meu amor
De outra mulher não gostarei, oi

Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir, oi!
Segura esta mulher
Ela quer fugir BR> Roubou meu coração
Não pode escapulir

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Francisco Alves Sings
Ary Barroso

Francisco Alves, the legendary Rei da Voz, aka Chico Viola (1898–1952), was Brazil’s first great popular recording star.

He’s gone down in history as the first singer to record “Aquarela do Brasil,” in a six-minute recording that occupied both sides of a 78-rpm disc. The grand orchestral arrangement by maestro Radamés Gnattali remains a standard to this day.

Chico Alves



Aquarela do Brasil
Ary Barroso (1939)

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...

Ô, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do serrado
Bota o rei congo no congado BR> Brasil! Brasil!
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver a “sá dona” caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...

Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...

Ô, esse coqueiro que dá côco
Ôi onde amarro a minha rêde
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!
Ô, ôi essas fontes murmurantes
Ôi onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincá
Ôi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...

 

Sem Ela
Ary Barroso (1935)

Eu vivia quieto no meu canto
Era feliz (com ela)
Tive o seu carinho e o seu encanto
Tudo que eu quis (com ela)

Nosso barracão, ninho de amor
Era um céu que nos deu Nosso Senhor
Minha vida era seu sorriso
Um paraíso (com ela)

Deste sonho um dia despertei
Meu barracão vazio encontrei BR> Eu não sei o que será de mim
Qual o meu fim (sem ela)

 

Caboca
Ary Barroso &
José Carlos Burle (1933)

Caboca
Quando os teus olhos me olharam
E teus braços me abraçaram
Quase que me enlouqueci
Caboca
Da boca cheia de viço
Me pusesse um tal feitiço
Que nunca mais te esqueci
Caboca
Fugi pro meio do mato
Sem saber que teu retrato
Trazia no coração
Caboca
Que nas curvas do caminho
As curvas do teu corpinho
Me vinham à imaginação
Caboca
Sapoti de seiva forte
Das matas virgens do Norte
Perfumadas como quê
Caboca
Caboca simplicidade
Nem mesmo aqui na cidade
Posso de ti me esquecer
Caboca
Juro por Nossa Senhora
Que por este mundo a fora
Coisa igual não pode haver
Caboca
É o Brasil bem brasileiro
Brasil verde, hospitaleiro
Que descubro em você


Chico Alves, do Catálogo da Revivendo

 

Foi Ela
Ary Barroso (1939)

Quem quebrou meu violão de estimação
Foi ela
Quem fez do meu coração, seu barracão
Foi ela
E depois me abandonou ô, ô
Ô, ô
Minha casa se despovoou
Quem me fez tão infeliz
Só por que quis
Foi ela
Foi um sonho que findou ô, ô
Um romance que acabou ô, ô
Foi ela

Top

 

Ary e Elizeth
 

Elizeth Cardoso
Sings Ary Barroso

Elizeth Cardoso (1920–1990), whose recording career began in 1950 but who had been singing professionally since 1936, was the First Lady of Brazilian Popular Music.

Possessed of a beautiful voice, perfect diction, and a wide interpretative range, Elizeth put her mark on sambas, romantic songs, and classical works with equal ease.

Elizeth Cardoso was Ary’s favorite female singer in his later years. Shortly before she died, Elizeth recorded the exquisite album Ary Amoroso as a tribute to the late master.

 

Inquietação
Ary Barroso (1935)

Quem se deixou escravizar
E no abismo despencar
De um amor qualquer
Quem no aceso de paixão
Enregou o coração
A uma mulher
Não soube o mundo compreender
Nem a arte de viver
Nem chegou mesmo o leve a perceber
Que o mundo é sonho, fantasia

Desengano, alegria
Sofrimento, ironia
Nas asas brancas da ilusão
Nosa imaginação
Pelo espaço vai, vai, vai
Sem desconfiar
Que mais tarde cai
Para nunca mais voar

 

Na Batucada da Vida
Ary Barroso &
Luiz Peixoto (1934)

No dia em que apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo
Da orgia
De noite teve choro e batucada
Que acabou de madrugada
Em grossa pancadaria
Depois de meu batismo de fumaça
Mamei um litro e meio de cachaça
Bem puxado
E fui adormecer como um despacho
Deitadinha no capacho
Da porta dos enjeitados
Cresci, olhando a vida sem malícia
Quando um cabo do polícia
Despertou meu coração
Mas como eu fui pra ele muito boa
Me soltou na rua à toa
Desprezada como um cão
Agora, que eu sou mesmo da virada
E que não tenho nada, nada
E de Deus fui esquecida
Irei cada vez mais me esmulambando
Seguirei sempre sambando
Na batucada da vida

 

Ocultei
Ary Barroso (1954)

Ocultei
Um sofrimento de morte
Temendo a sorte
Do grande amor que te dei
Procurei
Não perturbar nossa vida
Que era florida
Como, a princípio, sonhei
Hoje, porém
Abri as portas do destino
Mandei andar o amor
Um mero clardesuno
Encerrei
Um episódio funesto
Agora, detesto
Aquele a quem tanto amei
O meu mais ardente desejo
Que Deus me perdoe o pecado
E que outra mulher ao teu lado
Te mate na hora de um beijo
O meu mais ardente desejo
Que Deus me perdoe o pecado
E que outra mulher ao teu lado
Te mate na hora de um beijo


Elizeth Cardoso

No Rancho Fundo
Ary Barroso &
Lamartine Babo (1931)

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as “mágua”
Tendo os olhos rasos d'água
Pobre moreno
Que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Ja na cordilheira
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza
Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra
Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade
Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo
O sol queimando
Se uma flor lá desabrocha
A montanha vai gelando
Lembrando o aroma da cabrocha

 

Trapo de Gente
Ary Barroso

Aconteceu justamente o que mais eu temia
Apesar do trabalho que me deu sua educação
Fui buscá-la na triste miséria de um barracão
Para as noites boêmias de Copacabana
Este mundo de sonhos e desilusão
Mas incapaz de sentir este prisma da vida
Procurou disfarçar na bebida
A mais torpe e cruel traição
Saía comigo
Bebia comigo
Depois se entregava a um amigo
Trapo de gente sem alma e sem coração

Faixa de Cetim
Ary Barroso (1952)

Bahia
Terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia, de Iaiá e de Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou
Bahia
Terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia, de laiá e de Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou
Quando eu nasci
Na Cidade Baixa
Me enrolaram numa faixa
Cor de rosa de cetim
Quando eu cresci dei a faixa de presente
Pra pagar uma promessa
Ao meu Senhor do Bonfim
Pedi que me abrisse o caminho
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Prá minha mocidade
Sou feliz, ninguém mais feliz que eu
Bahia
Senhor do Bonfím me atendeu
Pedi que me abrisse o caminho
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Prá minha mocidade
Sou feliz, ninguém mais feliz que eu
Bahia
Senhor do Bonfim me atendeu

 

Folha Morta
Ary Barroso (1956)

Sei que falam de mim
Sei que zombam de mim
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Vivo à margem da vida
Sem amparo ou guarida
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Já tive amores
Tive carinhos
Já tive sonhos
Os dissabores levaram minh’alma
Por caminhos tristonhos
Hoje sou folha morta
Que a corrente transporta
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Infeliz!
Eu queria um minuto apenas
Pra mostrar minhas penas
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!

 

Por Causa Desta Cabocla
Ary Barroso (1935)

É tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar
Na noite dos seus cabelos, os grampos
São feitos de pirilampos
Que as estrelas querem chegar
E as aguas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
E fica o céu todo apagado
Somente
Com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado

 

Caco Velho
Ary Barroso (1934)

Reside no subúrbio do Encantado
Num barracão abandonado
João de Tal
Cabra falado
E dizem que viveu fora da lei
Foi ó um rei
Que zombava da morte
Tinha um santo forte
No meio de gente bamba
O seu prazer era tirar um samba
Pulava, dava rasteira
Topava briga de qualquer maneira
Mas hoje é um caco velho que não vale nada
Tem a cabeça branca a pele encarquilhada
Faz até pena ver o seu estado
A vida é essa
É um segundo que se esvai depressa
Todos nós temos o nosso momento
E depois cele o esquecimento

 

As Três Lágrimas
Ary Barroso (1939)

Eu chorei
Pela primeira vez na minha vida
Quando minha vida começou
Éramos então, duas crianças
Cheias de vida e de esperanças
Lembro-me bem do teu olhar espantado
Quando te roubei um beijo bem roubado
E uma lágrima dos olhos me rolou
Eu chorei
Pela segunda vez na minha vida
Quando minha vida desmoronou
Tinhamos então, mais vinte anos
Mágoas, saudades, desenganos
Lembro-me bem do teu olhar esquisito
Quando te olhei surpreso e muito aflito
E uma lágrima dos olhos te rolou
Eu chorei
Pela terceira vez na minha vida
Quando minha vida se acabou
Vinha pela rua amargurado
Quando ouvi bem o teu chamado
Lembro-me só que já fugira a meiguice
E o teu lindo olhar agora, era velhice
E uma lágrima dos olhos nos rolou

 

Pra Machucar Meu Coração
Ary Barroso (1943)

Está fazendo um ano e meio, amor
Que o nosso lar desmoronou
Meu sabiá
Meu violão
E uma cruel desilusão
Foi tudo que ficou
Ficou pra machucar meu coração

Quem sabe não foi bem melhor assim
Melhor pra você
E melhor pra mim
O mundo é uma escola
Onde a gente precisa aprender
Ciência de viver pra não sofrer

Top

 

Aracy de Almeida

Aracy de Almeida Sings Ary Barroso

Aracy de Almeida was one of Ary’s favorite singers, as well as being the foremost Noel Rosa interpreter. In early 1939, she recorded Ary’s samba “Camisa Amarela” and made it one of the jewels of MPB. Ary was so impressed that he offered Aracy “Aquarela do Brasil” to record.


 

Aracy went to Leslie Evans, the artistic director of her label, RCA Victor, and told him she had a wonderful new samba she wanted to record. Evans, always referred to as Mister Evans, had the reputation of being an unpleasant fellow. According to some accounts, he used to cover his mouth with a handkerchief when talking to popular singers, as if he were afraid of contagion. Not without a feel for Brazilian music, he nevertheless is said to have characterized samba as “música de negros, feita de negros para negros.”

Ary wanted “Aquarela do Brasil” to be recorded with a full orchestra, and Aracy communicated this condition to Evans. The director, used to having his way, was unwilling to commit more than a conjunto regional (a small choro ensemble) to the recording. As a result, Aracy recorded another samba, now forgotten, while Francisco Alves had the honor of being the first to record Brazil’s greatest song.

 

Camisa Amarela
Ary Barroso (1939) 

Encontrei o meu pedaço na Avenida de camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi
A Florisbela
Convideio-o a voltar pra casa em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
E desapareceu no turbilhão da Galeria
Não estava nada bom
O meu pedaço, na verdade, estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde, o encontrei num café
Zurrapa do Largo da Lapa
Folião de raça
Bebendo o quinto copo de cachaça

Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta-feira
Cantando a Jardineira, oi
A Jardineira
Me pediu, ainda zonzo, um copo d’água com bicarbonato
O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama e não tirou nem o sapato
Roncou uma semana
Despertou mal-humorado
Quis brigar comigo
Que perigo!
Mas não ligo
O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal
Pegou a camisa
A camisa amarela
Botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
Ele é pra mim
(Meu Senhor do Bonfim!)

Deixa o Mundo Falar
Ary Barroso (1947)

Nosso amor pra você já morreu
Mas pra mim não morreu
Está vivo no meu coração, ai, ai
Nosso amor é como o luar
Que hoje brilha, amanhã se apaga
E depois, volta a brilhar
Nosso amor terá vida enquanto eu viver
Não me importa o seu modo cruel de proceder
Todo mundo já sabe o que há
E me chama covarde
Covarde eu não sou
Deixa o mundo falar, ai, ai
Sei que a minha vida não será
Igual a vida de quem ama por amar
Prefiro assim
Pois quem ama de verdade
Faz do seu amor a própria felicidade


Top

 

 

João Gilberto
Sings and Plays
Ary Barroso

João Gilberto (1931– ) hasn’t recorded many Ary Barroso songs, but his recordings are all ground-breaking and definitive.

No other performer in the past forty years has done as much to keep Ary’s name and work alive. João’s 1973 instrumental version of “Na Baixa do Sapateiro” has influenced generations of musicians, while his three vocal renditions of “Aquarela do Brasil” turned the old war horse into a fresh new song.

 

João

É Luxo Só
Ary Barroso (1957)

Olha, essa mulata quando dança
É luxo só
Quando todo o seu corpo se embalança
É luxo só
Tem um não-sei-quê que faz a confusão
O que ela não tem, meu Deus, é compaixão
Êta mulata bamba!
Olha, essa mulata quando dança
É luxo só
Quando todo o seu corpo se embalança
É luxo só
Porém, seu coração quando se agita
E palpita mais ligeiro
Nunca vi compasso tão brasileiro
Êta samba!
Cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá
Êta samba!
Cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá
Mexe com as cadeira, mulata
Seu requebrado me maltrata
Ai, ai

 

Prá Machucar Meu Coração
Ary Barroso (1943)
João Gilberto’s version

Tá fazendo um ano e meio, amor
Que o nosso lar desmoronou
Meu sabiá, meu violão
E uma cruel desilusão
Foi tudo que ficou
Ficou
Prá machucar meu coração

[bis]

Quem sabe, não foi bem melhor assim
Melhor prá você e melhor prá mim
A vida é uma escola
Que a gente precisa aprender
A ciência de viver prá não sofrer

 

Isto Aqui o Que É
Ary Barroso (1942)
João Gilberto’s version,
also released as
Sandália de Prata

Isto aqui ô ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Desse Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar.

Morena Boca de Ouro
Ary Barroso (1941)

Morena boca de ouro
Que me faz sofrer
O teu jeitinho é que me mata
Roda morena, vai não vai
Ginga morena, cai não cai
Samba e me desacata
Morena é uma brasa viva pronta pra queimar
Quimando a gente sem clemência
Roda morena, vai não vai
Ginga morena, cai não cai
Samba com malemolência
Meu coração é um pandeiro
Gingando ao compasso de um samba feiticeiro
Samba que mexe com a gente
Samba que zomba da gente
O amor é um samba tão diferente
Morena samba no terreiro
Pisando vaidosa sestrosa meu coração
Morena tem pena de mais um sofredor
Que se queimou na brasa viva do seu amor

 

No Tabuleiro da Baiana
Ary Barroso (1936)

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, oi
Carurú
Mungunzá, oi
Tem umbú
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá?
O seu coração
Seu amor de Iaiá?
No coração da baiana tem
Sedução, oi
Canjerê, oi
Ilusão, oi
Candomblé pra você
Juro por Deus
Pelo Senhor do Bonfim
Quero você
Baianinha inteirinha pra mim
E depois
O que será de nós dois?
Seu amor é tão fugaz, enganador
Tudo já fiz
Fui até num canjerê
Pra ser feliz
Meus trapinhos juntar com você
E depois
Vai ser mais uma ilusão
No amor quem governa é o coração

Top

 

Orlando Silva


Faixa de Cetim
Ary Barroso (1942)

Bahia
Terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia, de Iaiá e de Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou
Bahia
Terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia, de Iaiá e de Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou
Quando eu nasci
Na Cidade Baixa
Me enrolaram numa faixa
Cor de rosa de cetim
Quando eu cresci dei a faixa de presente
Prá pagar uma promessa
ao meu Senhor do Bonfim
Pedi que me abrisse o caminho
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Prá minha mocidade
Sou feliz, ninguém mais feliz que eu
Bahia
Senhor do Bonfím me atendeu
Pedi que me abrisse o caminho
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Prá minha mocidade
Sou feliz, ninguém mais feliz que eu
Bahia
Senhor do Bonfim me atendeu

 

Por Causa Desta Cabocla
Ary Barroso
& Luiz Peixoto (1935)

É tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Prá ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Prá ele se agasalhar
Na noite dos seus cabelos, os grampos
São feitos de pirilampos
Que as estrelas querem chegar
E as águas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
E fica o céu todo apagado
Somente
Com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado

 


Faceira
Ary Barroso (1931)

Foi num samba
De gente bamba
Ô gente bamba
Que eu te conheci, faceira
Fazendo vizagem
Passando rasteira
Que bom
Que bom
Que bom

E desceste lá do morro
Prá viver cá na cidade
Deixando os companheiros
Quase loucos de saudade
Linda criança
Tenho fé
Tenho esperança
Que algum dia hás de voltar
Direitinho ao teu lugar



Risque
Ary Barroso (1952)

Risque
Meu nome de seu caderno
Pois não suporto o inferno
Do nosso amor fracassado

Deixe
Que eu siga novos caminhos
Em busca de outro carinhos
Matemos nosso passado
Masse algum dia, talvez
Não se pertube
Afogue a saudade nos copos de um bar

Creia
Toda quimera se esfuma
Como a brancura da espuma
Que se desmancha na areia


Orlando Silva/Revivendo

Inquietação
Ary Barroso (1935)

Quem se deixou escravizar
E no abismo despencar
De um amor qualquer
Quem no aceso de paixão
Entregou o coração
A uma mulher
Não soube o mundo compreender
Nem a arte de viver
Nem chegou mesmo o leve a perceber
Que o mundo é sonho, fantasia

Desengano, alegria
Sofrimento, ironia
Nas asas brancas da ilusão
Nossa imaginação
Pelo espaço vai, vai, vai
Sem desconfiar
Que mais tarde cai
Para nunca mais voar

Orlando Silva Sings Ary Barroso

Orlando Silva, O Cantor das Multidões (1915–1978), is considered by many, including João Gilberto, to have been the greatest popular singer in the world during the brief period of his prime, from 1935 to 1942.

Possessed of a unusually beautiful tenor voice, impeccable technique, and the ability to interpret any popular genre, Orlando also knew how to select his repertoire. Great standards such as “Carinhoso,” “Rosa,” and “Lábios Que Beijei” will forever be linked to his name.

Orlando didn’t sing many Ary Barroso compositions during his few years of
glory. In August 1942, he launched a 78-rpm disc containing “Faixa de Cetim”
on side A and “Quero Dizer-te Adeus!” on side B. Not until the 1950s did he record a string of Ary’s well-known songs, a number of which had been previously made hits in Sílvio Caldas’ voice. Some were later recorded by Elizeth Cardoso.

 

Quero Dizer-te Adeus!
Ary Barroso (1942)

Quero dizer-te adeus
De forma singula
Cantando a nossa valsa
Sem chorar
Quero dizer-te adeus
Pois vou partir, amor
Sem mágoa e sem rancor
Dos falsos beijos teus
Quero deixar-te assim
Sem atríbulações
Prá que longe de mim
Não tenhas ilusões
O nosso amor morreu
E o culpado não fui eu
Foi a sorte
Foi a vida, querida
Sonhei, confesso
Castelos de ouro e luz
Mansão de mil venturas
Para nós dois
Porém, no mundo os namorados
Não contam com as surpresas que vêm depois
Depois, depois, amor
A tempestade veio e tudo carregou
Até a saudade
Quero dizer-te adeus
De forma singular
Cantando a nossa valsa
Sem chorar

 

Trapo de Gente
Ary Barroso

Aconteceu justamente o que mais eu temia
Apesar do trabalho que me deu sua educação
Fui buscá-la na triste miséria de um barracão
Para as noites boêmias de Copacabana
Este mundo de sonhos edesilusão
Mas incapaz de sentir este prisma da vida
Procurou disfarçar na bebida
A mais torpe e cruel traição
Saía comigo
Bebia comigo
Depois se entregava a um amigo
Trapo de gente sem alma e sem coração

Radio Nacional

Caco Velho
Ary Barroso (1934)

Reside no subúrbio do Encantado
Num barracão abandonado
João de Tal
Cabra falado
E dizem que viveu fora da lei
Foi ó um rei
Que zombava da morte
Tinha um santo forte
No meio de gente bamba
O seu prazer era tirar um samba
Pulava, dava rasteira
Topava briga de qualquer maneira
Mas hoje é um caco velho que não vale nada
Tem a cabeça branca a pele encarquilhada
Faz até pena ver o seu estado
A vida é essa
É um segundo que se esvai depressa
Todos nós temos o nosso momento
E depois cele o esquecimento

 

Terra Seca
Ary Barroso

(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego tá molhado de suor
As mãos do nego tá que é calo só
Ai, meu senhor
Nego tá véio
Não aguenta
Esta terra tão dura, tão seca, poeirenta
(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença prá parar
Nego não pode mais trabaiá
(Trabalha nego)
Nego tá moiado de suor
(Trabalha, trabalha, nego)
As mãos do nego tá que é calo só
(Trabalha, trabalha, nego)
Ai, meu senhor
Nego tá vélo
Não aguenta
Esta terra tão dura, tão seca, poeirenta
(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença prá parar
Nego não pode mais trabaiá
Quando o nego chegou por aqui
Era mais vivo e ligeiro que o saci
Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim
Nego era moço e a vida, um brinquedo prá mim
Mas esse tempo passou e esta terra secou, o, o, o
A velhice chegou e o brinquedo quebrou,
Sinhô, nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô, nego véio carrega este corpo cansado
Mas esse tempo passou e esta terra secou, o, o, o
A velnice chegou e o brinquedo quebrou ô,
Sinhô, nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô, nego véio carrega este corpo cansado

 

Tu
Ary Barroso (1934)

Teu olhar é um sonho azul
Teu sorriso, uma promessa louca
Teus lábios, duas jóias de coral
No engaste sensual de tua boca

O mais lindo luar, tu
A grandeza do mar, tu
Só te quero a ti
Só te vejo a ti
Só palpito por ti
És minha vida, querida!


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