De Qualquer Maneira
Ary Barroso/Noel Rosa (1939)Quem tudo olha quase nada enxerga
Quem não quebra se enverga A favor do vento
Eu não sou perfeito
Sei que tenho de pecar
Mas arranjo sempre jeito
De me desculpar
Eu lá na Penha agora vou estifa
Mas não vou como um cafifa
Que foi lá desacatar
Mas a força falha
Ele teve um triste fim
Agredido a navalha
Na porta de um botequim
Pra ver a minha santa padroeiraEu vou à Penha
De qualquer maneira
Pra ver a minha santa padroeira
Eu vou a Penha
De qualquer maneiraFaz hoje um mês que eu fui naquele morro
E a Jujú pediu socorro
Lá da ribanceira
Toda machucada
Saturada de pancada
Que apanhou do seu mulato
Por contar boato
Meu coração bateu à toda pressa
E eu fiz uma promessa
Pra mulata não morrer
Pela padroeira ela foi bem contemplada
Levantou do chão curada
Saiu sambando fagueira
Pra ver a minha santa padroeiraEu vou à Penha
De qualquer maneira
Pra ver a minha santa padroeira
Eu vou à Penha
De qualquer maneiraEu vou à Penha de qualquer maneira
Pois não é por brincadeira
Que se faz promessa
E o tal mulato para não entrar na tenha
Fez comigo um contrato pra sumir da Penha
Quem faz acordo não tem inimigo
A mulata vai comigo
Carregando o violão
E com devoção
Junto à santa milagreira
Vai cantar meu samba prosa
Numa primeira audição