:: The articles in this series were originally published
:: in the online magazine Daniella Thompson on Brazil.


 

Praça Onze in Popular Song, Pt. 8

A consecrated symbol in the Nineties.

Daniella Thompson

11 August 2003


“Favela” by Nelson Sargento

During the 1990s, Praça Onze continued to serve as primary metaphor for the cradle of samba. In this 1990 samba-enredo, G.R.E.S. São Clemente decries the increasing commercialization of the carnaval and longs for Praça Onze and the great carnavals of yesteryear.

E o Samba Sambou
(Chocolate/Helinho 107/Nino/Mais Velho/Alceu, 1990)

Vejam só!
O jeito que o samba ficou... E sambou!
Nosso povão ficou fora da jogada,
Nem lugar na arquibancada
Ele tem mais pra ficar
Abram espaço nesta pista
E, por favor, não insistam
Em saber quem vem aí!
O mestre-sala foi parar em outra escola
Carregada por “cartolas”
Do poder de quem dá mais
E o puxador vendeu seu passe novamen
Quem diria, minha gente?
Vejam o que o dinheiro faz!

É fantástico!
Virou Hollywood isso aqui (isso aqui)
Luzes, cámeras e som!
Mil artistas na sapucaí!
[bis]

(mas o show!)
Mas o show tem que continuar
E muita gente ainda pode faturar:
“Rambositores”: mente artificial,
Hoje o samba é dirigido
Com sabor comercial
Carnavalescos e destaques vaidosos,
Dirigentes poderosos criam tanta confusão
E o samba vai perdendo a tradição!
[bis]

(que saudade...)
Que saudade
Da Praça Onze e dos grandes carnavais!
Antigo reduto de bambas,
Onde todos curtiam o verdadeiro samba
[bis]

G.R.E.S. São Clemente’s samba-enredo in 1990.



Portela’s parade in 1995

In 1995, G.R.E.S. Portela evoked the roots of carnaval with Zé Pereira, the old ranchos and cordões, the pioneering bloco carnavalesco Deixa Falar, and, of course, Praça Onze, “cradle of our fantasies.” The enredo “Gosto que Me Enrosco” is a tip of the hat to Sinhô.

Enredo: Gosto que Me Enrosco
(Noca da Portela/Colombo/Gelson, 1995)

É carnaval
O Rio abre as portas pra folia
É tempo de sambar
Mostrar ao mundo a nossa alegria
Veio bailando pelo mar
E de lá pra cá nasceu essa magia
Samba, que me faz feliz
Em sua raiz tem arte e poesia
Bate o bumbo, lá vem Zé Pereira
E faz Madureira de novo sonhar A Portela não é brincadeira
Sacode a poeira, faz o povo delirar
Gosto que me enrosco de você, amor
Me joga seu perfume, hoje eu tô que tô

Praça Onze, berço das nossas fantasias
Deixa Falar deixou no peito a nostalgia
Dos ranchos, blocos e cordões
Dos mascarados nos salões
Pierrot beijando a Colombina
Chuva de confete e serpentina
Dos bondes ficou a saudade
Ah! Que saudade do luxo das Sociedades

Abram alas, deixa a Portela passa
É voz que não se cala
É canto de alegria no ar



Tito Madi

In this waltz by Tito Madi and Paulo Cesar Pinheiro, the reference to Praça Onze is incidental. The square appears with other landmarks of Rio de Janeiro in a dream in which an immense cordon of more than 100,000 couples dances a dance of love.

Dançador
(Tito Madi/Paulo Cesar Pinheiro)

Ontem eu sonhei
que o Rio saiu dançando amor
Um imenso cordão da Praça Onze
vinha vindo em direção ao Redentor.
E eram mais, mais de cem mil casais.
Se abraçando e valsando nos jardins do aterro
em plena zona sul, do Leme ao Cais.

E eu também, virei ali um dançador.
Entoando uma música sentimental,
uma valsa de amor.
Que sonho bom, eu vi então,
aquilo que não se vê mais.
A multidão, se dando as mãos em paz.

Hoje eu sonhei, que o Rio saiu dançando amor.
De toda a Zona Sul, Copacabana, Gávea,
Urca e Leblon ao Redentor.
E eram mais, mais de cem mil casais
. Se encontrando e valsando em volta da Lagoa,
eu nem no carnaval, vi nada igual.

E eu também, virei ali um dançador.
Entoando uma música sentimental,
uma valsa de amor.
Que sonho bom, eu vi então,
aquilo que não se vê mais.
A multidão, se dando as mãos em paz.

Waltz recorded by Tito Madi with Os Cariocas
on the 2001 CD Ilhas Cristais (Dubas Música 325912001492).

= = =

By 1997, the Internet had become a force majeure in Brazil. For his album Quanta of that year, Gilberto Gil created a song on this communications novelty that drew upon a parallel with the first recorded samba, “Pelo Telefone” (which had been created at Tia Ciata’s house in Praça Onze). Praça Onze also makes an appearance in the last line of the lyrics, paralleling the line “Que na Carioca tem uma roleta para se jogar” in the older song.

Pela Internet
(Gilberto Gil; 1997)

Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé

Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer

Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut

De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão

Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar

Recorded by Gilberto Gil on the 1997 CD Quanta (Warner Music 063013033-2).



Nelson Sargento

In 1999, the century was coming to a close, giving G.R.E.S.E.P. Mangueira the opportunity to select for its theme the Century of Samba. Fresh on the heels of its 1998 championship, Mangueira did not select this samba by Nelson Sargento and partners.

O Século do Samba
(Nelson Sargento/Josimar Monteiro/Francisco Blanco, 1999)

Pisando em Chão de Estrelas
Pelo telefone Donga avisou
E foi assim
Que a história do samba começou
A nave mãe Praça Onze
Fez o seu papel de pioneira
João da Baiana, Pixinguinha e Sinhô
Anjos negros da cultura brasileira
A Mangueira lembra nesse carnaval
Tia Ciata, Saturnino e Juvenal
Cartola, Calça Larga e Ismael
Paulo da Portela, Silas e Noel
É o século do samba
Embalando toda a geração
No samba de roda
No samba de breque
No samba-canção
E também no exaltação
Na bossa nova
E na dança pé no chão
E assim...
Ele atravessou fronteiras
Na voz feminina
De Carmem Miranda à Elis Regina
Samba agoniza mas não morre
Vai seguindo num pagode
Pro milênio que virá

Roda, roda
E pega o rumo
A Verde e Rosa é cidadã do mundo

= = =

The samba Mangueira did select alludes to many of the same samba milestones enumerated in the Sargento/Monteiro/Blanco composition. Both mention “Pelo Telefone” and Praça Onze. The escola reached a disappointing 8th place in the 1999 parade.

O Século do Samba
(Adalberto/Jocelino/Jerônimo, 1999)

O rufar do seu tambor
Anunciou o verde e rosa
Que canta o século do samba
Canta os bambas em verso e prosa
Pelo telefone vai buscar quem foi pra longe
Pra matar minha saudade
Recorda a Praça Onze em poesia
Deixa falar a nostalgia
O morro desce a ladeira prá cidade

Sinhô, Ismael, Pixinguinh
Cartola, Noel, Candeia
Ecoa no céu, Mangueira
Traz todo o samba pra Estação Primeira

É orgulho e até religião
Em meigas faces tradição
Jeito moleque mostra em breque,
No amor então, se faz canção
Partido alto em fundo de quintal
Silas, poeta do meu Carnaval
Mangueira, hoje o povo todo aclama
Nossa majestade, o samba
O mundo é um eterno moinho
Meu berço, folhas secas vão caindo
As novas vão crescer em seu caminho
A manga brota em flor sem ter espinh

No batuque, no pagode
Avante Mangueira!
Teu cenário é uma beleza,
Tua voz uma bandeira!

G.R.E.S.E.P. Mangueira’s samba-enredo in 1999.

 


Copyright © 2003–2013 Daniella Thompson. All rights reserved.