:: The articles in this series were originally published
:: in the online magazine Daniella Thompson on Brazil.


 

The convoluted history of “Linda Flor”

The first samba-canção had
four sets of lyrics, five titles,
and six listed authors.
Which version came first?

Daniella Thompson

27 March 2002


Luiz Peixoto

Just as DNA typing revolutionized forensic medicine and criminal investigation, the Internet is making it possible for any amateur around the world to contest accepted theories of almost any kind.

In years past, researchers of old Brazilian recordings had to conduct their searches in Brazil. No more. Fundação Joaquim Nabuco in Recife hosts on its website the Funarte database of 78-rpm recordings released in Brazil between 1902 and 1964.

What better opportunity to discover the true chronological order of the various recordings a certain song received until it settled into its final version?

As the first samba-canção, “Linda Flor” has been the target of much attention and ink, including conflicting stories on its beginnings. In his Pequena História da Música Popular, José Ramos Tinhorão claims that the first version was “Linda Flor” with Cândido Costa’s lyrics, recorded by Vicente Celestino, followed by “Meiga Flor” with Freire Jr.’s lyrics, recorded by Francisco Alves—both in 1928. The final version, with lyrics by Luiz Peixoto and the definitive interpretation by Araci Cortes, was called first “Iaiá” and then settled into “Ai, Ioiô.” Tinhorão provides the lyrics of “Meiga Flor” (incomplete) and “Ai, Ioiô.”

Renato Vivacqua follows the same order in his book:

No início de 1928, Henrique Vogeler compôs uma bela melodia, na qual foi colocada uma letra algo rebuscado de Cândido Costa, cujo título era Linda Flor [...]
Ninguém, deu a mínima, mas como a música era realmente bonita, apareceu outro letrista, Freire Jr., que mudou-lhe o título para Meiga Flor. A tentativa não deu em nada. Luiz Peixoto, há muito ligado na melodia, desprezou as letras anteriores e colocou a sua, sendo a consagração [...]

In his biography of Araci Cortes, Linda Flor, Roberto Ruiz omits all reference to “Meiga Flor” (possibly because it wasn’t performed on the stage like “Linda Flor” and “Iaiá”). On the other hand, he obliges with Cândido Costa’s lyrics for the first “Linda Flor.”

Ricardo Cravo Albin’s Dicionário da MPB is more precise and comprehensive:

É possível que Vogeler gostasse e acreditasse na canção, a ponto de procurar a melhor letra para ela. O fato é que recebeu três letras: "Linda flor" (letra de Cândido Costa), para a peça "A verdade do meio-dia", "Meiga flor" (letra de Freire Júnior) e a definitiva "Iaiá", de Luís Peixoto, para a peça "Miss Brasil", que acabou consagrada na voz de Araci Cortes com o nome de "Ai, Ioiô". As três foram gravadas. "Linda flor", na voz de Vicente Celestino (Odeon 1038-a, de março de 1929), "Meiga flor", na voz de Francisco Alves (Parlophon 12909-a, de janeiro de 1929), e "Ai, Ioiô", na voz de Araci Cortes (Parlophon 12929-a, de março de 1929). A canção recebeu ainda uma quarta letra, cômica, de Nelson de Abreu, lançada no disco "Miss favela", de novembro de 1930 (Parlophon 13246-a).

A quick search in the Funarte disc database reveals that the first recording to be released was in fact Chico Alves’, followed by Vicente Celestino’s two months later. Araci Cortes’ recording was released the same month as Celestino’s.

Autor: Henrique Vogeler - Freire Jr.
Título: Meiga Flor
Gênero: Samba Canção
Intérprete: Francisco Alves
Gravadora: Parlophon
Número: 12.909-A
Matriz: 2215
Data lançamento: Jan/1929

Autor: Henrique Vogeler - Cândido Costa
Título: Linda Flor
Gênero: Samba Canção
Intérprete: Vicente Celestino
Gravadora: Odeon
Número: 10338-A
Matriz: 2255
Data lançamento: Mar/1929

Autor: Henrique Vogeler - Luiz Peixoto - Marques Pôrto
Título: Iaiá
Gênero: Canção
Intérprete: Araci Cortes
Gravadora: Parlophon
Número: 12.926-A
Matriz: 2366
Data lançamento: Mar/1929

Parlophon was Casa Edison’s secondary label. Araci Cortes’ recording was also released as “Ioiô“ on the firm’s premier label, Odeon, under the same catalog number (12.926-A).

A fourth, parodic version is listed as well.

Autor: Henrique Vogeler - Nelson de Abreu
Título: Miss Favela
Gênero: Cena Cômica
Intérprete: Pinto Filho
Gravadora: Parlophon
Número: 13.246-A
Matriz: 4009
Data Lançamento: Nov/1930


Francisco Alves

Meiga Flor
(Henrique Vogeler/Freire Jr.)

Meiga flor,
Não te lembras, talvez,
Das promessas de amor,
Que te fiz,
Já não crês...
Se
Queres me abandonar
Procurando negar
Que juraste a mim também
Minha ser, meu bem...

Meu amor
Por que negas, ó flor,
Sempre fui tão sincero,
Eu te quis, eu te quero...

Sei que sem ti morrerei.
És o meu ideal
Minha vida, afinal.

Tinhorão omits the final stanza; this one came from Maricenne Costa’s CD Como Tem Passado!!, in which the lyrics of the first stanza differ somewhat from Tinhorão’s version.

Se amas alguém, meiga flor,
Demais te convém outro amor
Eu quero partir para não mais te ver
Eu quero fugir e bem longe morrer.


Vicente Celestino

Linda Flor
(Henrique Vogeler/Cândido Costa)

Linda flor,
Tu não sabes, talvez,
Quanto é puro o amor,
Que me inspira; não crês...
Nem
Sobre mim teu olhar
Veio um dia pousar!...
E ainda aumenta a minha dor
Com cruel desdém!

Teu amor
Tu por fim me darás,
E o grande fervor
Com que te amo verás...
Sim
Teu escravo serei,
E a teus pés cairei
Ao te ver, minha enfim.

Felizes então, minha flor
Verás a extensão deste amor
Ditosos os dois, e unidos enfim
Teremos depois só venturas sem fim!


Araci Cortes

Linda Flor (aka Iaiá, aka Ai, Ioiô)
(Henrique Vogeler/Luiz Peixoto/Marques Pôrto)

Ai, Ioiô!
Eu nasci pra sofrê
Fui oiá pra você,
Meus oinho fechou!
E quando os óio eu abri,
Quis gritá, quis fugi,
Mas você,
Eu não sei por quê,
Você me chamô!

Ai, Ioiô,
Tenha pena de mim
Meu Sinhô do Bonfim
Pode inté se zangá
Se ele um dia soubé
Que você é que é,
O Ioiô de Iaiá!

Chorei toda noite
E pensei
Nos beijos de amô
Que te dei,
Ioiô, meu benzinho,
Do meu coração
Me leva pra casa
Me deixa mais não.

On one point all agree: the first two versions fully deserved their utter failure. Henrique Vogeler’s beautiful melody wasn’t sufficient to carry the song until Luiz Peixoto came around and turned it into a classic.

Araci recorded the song again in 1965 (in the legendary Rosa de Ouro). It was reprised by a host of star vocalists such as Isaura Garcia, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Maria Bethânia & João Gilberto, Zezé Gonzaga & Jane Duboc (separately and together), Alcione, Tetê Espíndola, Ná Ozzetti, Dori & Nana Caymmi, and Clara Sandroni—not to mention first-rung instrumentalists like Radamés Gnattali, Paulinho Nogueira, Altamiro Carrilho, Toquinho, and Baden Powell.

Success breeds parody. Araci’s version, introduced in the theatrical revue Miss Brasil, sparked the hilarious “Miss Favela,” rendered by the comic actor/singer/songwriter Oscar Pinto de Souza, better known as Pinto Filho (or le Chevalier de Cascadurrá, in his own appellation). Roberto de Azevedo, who kindly provided the lyrics below, informs that the recording begins in Pinto Filho’s traditional operetta style. A crowd in the street mocks a drunken Portuguese, and a popular man provokes him.


Oscar Pinto de Souza, “Pinto Filho”

Miss Favela
(Henrique Vogeler/Nelson de Abreu)

Popular:
“Oh, português-pau-d’água, dá o fora!!!”

Povo:
“Ahhhhhhhhhhhh!!!”

Popular:
“Estais a beber gasolina, oh diabo [?]”

Povo:
“Ahhhhhhhhhhhh!!!”

Português:
“Eu bebo é com o meu dinheiro, seus vagabundos!!!
E aos despois, eu estou na minha terra. Portugal e Brasil é tudo a mesmacoisa!!!
E aos despois, eu bebo assim é de raiva. É de desgosto. Tudo por causa deuma mulata!!!
Ai, as mulatas!
Quando eu te vejo na rua pisando com aquele sapato rosa na areia e comaquele vestido comprido feito rabo de pavão ... Minha Nossa Senhora... Eu até me esqueço que sou português ... Ai, o raio da mulata!!!”

[cantando]:
Ai, mulata
Eu nasci prá sofrer
Quando eu brigo contigo
Eu só quero beber
E para minha desgraça
Bebo tanta cachaça
Que fico que nem um
[?]
Muito jururú

Ai, mulata
Tenha pena de mim
Lá no bonde Bonfim
Eu caí na calçada
E se não fosse um patrício
Quase que por um tríz
Eu rachava o nariz

Bebi toda noite, mulata
Só por tua causa, oh ingrata
Meu doce de côco, tem pena de mim
Dá cá uma beijoca prá teu Joaquim
Façamos as pazes, querida
Eu juro que és minha vida
Estou pronto mulata, querida donzela
Tú és entre outras Misses
A Miss* Favela

* Pinto Filho pronounces the word “missie.”



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