:: Os artigos individuais nesta série foram originalmente
:: publicados na revista Daniella Thompson on Brazil.

 Tradução: Alexandre Dias

 

As Crônicas Bovinas

Au Temps du Boeuf sur le Toit
3. O bar-restaurante.

Daniella Thompson

4 de agosto de 2003

As duas fotografias logo abaixo foram tiradas do lado de fora do bar-restaurante Le Boeuf sur le Toit em sua localização original na rua 28 Boissy d’Anglas, no quartier da Madeleine, Paris. O estabelecimento, que abriu oficialmente no dia 10 de janeiro de 1922, ocupou as duas fachadas em ambos os lados da porte cochère do prédio até 1928.


O restaurante, 28 rue Boissy d’Anglas (coleção Henrion)


O bar, 28 rue Boissy d’Anglas. A janela na extrema esquerda era parte do quarto da concièrge. (coleção Henrion)


Um jantar de gala no restaurante Le Boeuf sur le Toit, 1922 (coleção Henrion)

O ensaista, estudioso, poeta e diplomata mexicano Alfonso Reyes (1889–1959), que no meio da década de 1920 serviu na legação mexicana em Paris, descreveu o Boeuf sur le Toit em algumas pinceladas em seu livro de gastronomia Memorias de Cocina y Bodega (Mexico: Tezontle, 1953):

Boeuf sur le toit (28, rue Boissy d’Anglas): Bajo la advocación de Cocteau; fantasía y tradición; moda artística y literaria; buenos platos alsacianos; foie-gras en picatoste; Questche, Mirabelle.

L’Oeil Cacodylate (O Olho Cacodilato) de Francis Picabia. A assinatura de Milhaud está no canto superior direito abaixo do texto “Je m’appelle DADA depuis 1892” (Eu me chamo DADA desde 1892).
  L’Oeil Cacodylate, o famoso quadro dadaísta de Francis Picabia (agora no Centre Pompidou) ficava originalmente no bar do Le Boeuf sur le Toit. Ele pode ser visto na parede esquerda da foto em baixo. Sentado abaixo dele está o proprietário, Louis Moysès. Na extrema direita está o pianista Clément Doucet. Esta foto foi assinada por Jean Cocteau em 1960, com a exclamação “Voila notre cher Boeuf”. Acredita-se que ela fora tirada por Man Ray, mas também se pensava o mesmo de outras fotos no catálogo Artcurial que foram posteriormente provadas como sendo da autoria de Cocteau (mais sobre este assunto no livro de Billy Klüver A Day With Picasso: Twenty-Four Photographs by Jean Cocteau).


Louis Moysès (esquerda) e Clément Doucet (direita) no bar do Boeuf sur le Toit em 1924 (coleção Henrion)

Jean Wiéner era o pianista da casa no bar Gaya e depois no Le Boeuf sur le Toit. Ele foi sucedido por Clément Doucet. Os dois pianistas eram amigos e gravaram muitos duetos entre 1925 e 1937. Suas gravações foram relançadas no CD duplo Les Rarissimes de Jean Wiener & Clément Doucet—Les Années Folles (EMI Classics 7243 5 86480 2 7), de onde a foto ao lado foi retirada. Dentre as composições de Doucet incluídas em Les Rarissimes, está a música de 1926 “La Vache dans la Cave”, que substitui o boi no telhado por uma vaca no porão. É digno de nota que, em 1928, Wiéner e Doucet gravaram um maxixe intitulado “Covanduinho” (Cavaquinho/N. Milano) e um samba chamado “Vem! Fidoka” (A. Guia de Cerhugira).
Jean Wiéner & Clément Doucet


Cartão de publicidade (interior) para Le Boeuf sur le Toit


Cartão de publicidade (exterior) para Le Boeuf sur le Toit

Nota: Todas as fotografias com a indicação Coleção Henrion vieram do acervo de Louis Henrion, sobrinho de Louis Moysès. Entre maio e julho de 1981, elas foram expostas no Centre d’Art Plastique Contemporain Artcurial, 9 avenue Matignon, Paris, e impressas no catálogo da exposição Au Temps du “Boeuf sur le Toit” 1918–1928, de onde foram escaneadas.

 

 

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