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:: in the online magazine Daniella Thompson on Brazil.


 

Praça Onze in Popular Song, Pt. 5

History comes into play in the Sixties.

Daniella Thompson

4 July 2003


Dalva de Oliveira

The marcha-rancho “Rancho da Praça Onze” by João Roberto Kelly and Chico Anísio was first presented on stage in a musical comedy by Geysa Bôscoli whose première took place on 27 February 1960 at the Teatro do Rio (Catete). It was sung by Araci Cortes, in a comeback after a long absence from the stage, and had different lyrics from those we’ve come to know. It was also included in the transvestite show Les Girls at the Stop Club nightclub in Copacabana.

For the occasion of Rio de Janeiro’s 400th anniversary in 1965, new lyrics were written.

Rancho da Praça Onze
(João Roberto Kelly/Francisco “Chico” Anísio; 1960/64)

Esta Praça Onze tão querida
Do carnaval a própria vida
Tudo é sempre carnaval
Vamos ver desta praça a poesia,
E sempre em tom de alegria
Fazê-la internacional.

A praça existe
Alegre ou triste
Em nossa imaginação
A praça é nossa
E como é nossa
No Rio quatrocentão.

Este é o meu Rio boa praça
Tantas praças que êle tem
Vamos da Zona Norte à Zona Sul
Deixar a vida tôda azul
Mostrar na vida o que faz bem
Praça Onze, Praça Onze.

Marcha-rancho recorded by Dalva de Oliveira in 1964
on the LP Rancho da Praça Onze (Odeon MOFB 3416).


Barão de Mauá

As the carnaval parade themes were required to include national content, composers of the escolas de samba delved into Brazilian history to unearth significant personages and occurrences. In 1963, G.R.E.S. Portela paraded with the following tribute to Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá, who in the mid-19th century created important enterprises in Rio de Janeiro. The baron (later Visconde de Mauá) built the pioneer gas works that supplied the city’s illumination beginning in March 1854. This factory was located in rua Senador Eusébio, one of Praça Onze’s main arteries. The Museu do Gás still exists in the same location, now on Avenida Presidente Vargas. A month later, the baron inaugurated the first railroad in Brazil. During the same decade, he constructed the Canal do Mangue, draining the swampy Mangal de São Diogo that had covered vast tracts of land in the Cidade Nova. Portela reached fourth place with this endredo.

Exaltação ao Barão de Mauá
(Valter Rosa/Antonio Alves; 1963)

Vulto de notável mérito
que a indústria do país glorificou
Irineu Evangelista de Souza
a primeira estrada de ferro criou
base para a siderurgia do Brasil
fundição na Ponta da Areia
o fator primordial do progresso nacional
e também o canal do Mangue
com suas palmeiras imperiais
quantas lembranças nos traz.

Heranças históricas
Rio antigo dos lampiões a gás.

Rio Grande do Sul
berço desse ilustre brasileiro
que adquiriu conhecimento no estrangeiro
desenvolveu e protestou contra a navegação
em trânsito livre no rio Amazonas
por outra nação.
Após sofrer rudes golpes de sorte
nos derradeiros momentos da monarquia,

O pioneiro barão de Mauá
em 89 desaparecia

G.R.E.S. Portela’s samba-enredo in the carnaval of 1963.


Mauá Gas Works, rua Senador Eusébio

= = =

The composer Antonio Candeia Filho produced for Portela a number of important sambas-enredo, notable for their length. In 1965, when Rio de Janeiro was marking its 400th year, Portela’s theme encompassed the city’s history since the landing of Estácio de Sá’s fleet at the rock of Cara de Cão up to the 20th century. Praça Onze is explicitly mentioned only in the title but is obliquely alluded to in references to the racial melting pot and the consagrada beleza exuberante da mulata. Portela gained third place in the 1965 carnaval.


Candeia

Histórias e Tradições do Rio Quatrocentão—
do Morro Cara de Cão à Praça Onze

(Candeia/Waldir 59; 1965)

Rio és um marco de glória
És um berço na história do país
Tens um povo alegre, hospitaleiro e tão feliz.
É com desvelo e orgulho que iremos exaltar
Teu fundador, o bravo Estácio de Sá
Que transformou seus sonhos em realidade
Expulsando os invasores
Decidiu a sorte da cidade
Pagando com a própria vida
O preço do amor à liberdade.
E após um século decorrido
O povo conquistou retumbante vitória
Jerônimo Barbalho, o herói destemido
Com refulgência
Nos legou os ideais da independência.
Rio de Janeiro de São Sebastião
Cidade-estado, em expansão secular.

Salve! O Conde de Bobadela
Benfeitor da cidade
Que é a mais linda aquarela

Rio antigo, das batucadas
Dos rituais, capoeiras e congadas
Oh! Meu Rio colonial
Do mestre Valentim, artista genial.
Não devemos esquecer o mártir Inconfidente
O heróico Tiradentes!
Salve! A princesa redentora Isabel
Que aboliu a escravatura tão cruel
Esse fato que tanto nos comove..
. Após a vinda de d. João VI, no século XIX
Prosseguindo esta feliz apologia
Lembramos o último baile da monarquia.

Hoje no século XX, do caldeamento de raças
Surgiu com requinte e graça
No mundo aristocrata
Consagrada beleza exuberante da mulata.

Rio, teu panorama é um lindo relicário
Todo Brasil se engalana
Com a passagem de teu IV Centenário

Ô ô ô ô ô
Ruas do Rio, sempre cheias de esplendor
Ô ô ô ô ô
Hoje cantamos em teu louvor
Lará lará lará...
Lará lará lará...

G.R.E.S. Portela’s samba-enredo in the carnaval of 1965.


The champion of the 1965 carnaval was G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, whose expressive samba-enredo covered the entire history of Rio’s carnaval, from the times of the entrudo and Zé Pereira through the corso and, naturally, samba in Praça Onze. The title salutes the writer-journalist Eneida de Moraes and her influential book História do Carnaval Carioca. The samba’s final refrain is a quotation from Chiquinha Gonzaga’s pioneering marcha-rancho “Ô Abre Alas,” the first tune composed especially for the carnaval, commissioned by the rancho Rosa de Ouro in 1899.

História do Carnaval Carioca—Eneida
(Geraldo Babão/Valdelino Rosa; 1965)

Recordando a história do carnaval
Sob o comando do Rei Momo
Abrimos o desfile tradicional.

O povo abrilhantando
O festival de alegria
Retratando trajes típicos de uma época
Entrudo em sensacional euforia
Ranchos, blocos de sujos e sociedades
Alegres foliões, aqui relembrados
E o Zé Pereira
Pioneiro da folia no passado
Corso, tradições antigas
Moças e rapazes
Em carros decorados
Ornamentados por confetes e serpentinas
Davam um colorido multicor, ô-ô-ô
Traziam a presença de Arlequim De Colombina e Pierrô
Bonde é motivo de saudade
Conduzia passageiros mascarados
Que sambavam e cantavam de verdade
A inesquecível Praça Onze
Sempre foi reduto de bamba
Glória e consagração
Da primeira escola de samba
Os imortais compositores
Revivemos seus talentos, seus valores
Hoje reina mais alegria
Luz e esplendor
O famoso baile de Veneza
Nesta apoteose triunfal
Traz sua eterna saudação
Ao baile de gala do Municipal
Ricas fantasias
Desfilando em passarela
Tornam a nossa geografia
Muito mais bela
Através destes estandartes
Da união das nossa coirmãs
Defendendo o mesmo ideal
A soberania da musica nacional
Salve o Rio de Janeiro
Seu carnaval, seu quatrocentão
Feliz abraço do Salgueiro
Á cidade de São Sebastião

Ó abre alas, que eu quero passar
Eu sou da Lira, não posso negar
Rosa de Ouro é quem vai ganhar!

G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro’s samba-enredo, first-place winner in 1965.



Cartola

The lovely samba “Tempos Idos” mentions the official scale (“uma balança onde os malandros iam sambar”) that used to be a fixture in Praça Onze, where loads of cargo on their way to the nearby port were weighed. While awaiting their turn for weighing, the carters (“os malandros”) passed the time singing and dancing in a batucada circle and engaging in games of pernada (foot tripping) to the rhythm of clapping and small percussion instruments.

Tempos Idos
(Cartola/Carlos Cachaça; 1968)

Os tempos idos, nunca esquecidos,
Trazem saudades ao recordar
É com tristeza que relembro
Coisas remotas que não vêm mais
Uma escola na Praça Onze,
Testemunha ocular
. E perto dela uma balança
Onde os malandros iam sambar
Depois aos poucos o nosso samba
Sem sentirmos se aprimorou
Pelos salões da sociedade
Sem cerimonia ele entrou
Já não pertence mais à praça
Já não é samba de terreiro Vitorioso ele partiu para o estrangeiro

E muito bem representado
Por inspiração de geniais artistas
Conseguiu penetrar no Municipal
Depois de percorrer todo o universo
Com a mesma roupagem que saiu daqui
Exibiu-se pra Duquesa de Kent no Itamarati

Samba recorded by Odete Amaral on the LP Fala Mangueira (Odeon MOFB 3568; 1968) and by Cartola in Verde que Te Quero Rosa (RCA Victor 103.0227; 1977).

 


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